In 8 gr. 21x15 cm. com [xvi], 266, [i] págs. Encadernação da época em pergaminho flexível, com o título manuscrito na lombada e vestígios de atilhos.
Exemplar com danos marginais de desgaste de papel, sem afectar mancha gráfica.
Tratado epistolar clássico escrito originalmente em italiano ("toscano") pelo célebre jesuíta, filósofo e historiador Conde Emanuele Tesauro (1591–1677).
A obra foi traduzida para o espanhol por Don Marcelo Migliavaca, contador do Marquês de Castel Rodrigo, Vice-Rei do Reino de Valência, e teve grande circulação na Península Ibérica durante os séculos XVII e XVIII.
Escrita num período em que a correspondência era o principal motor das relações de poder e do "político comércio", a obra funciona como um guia estratégico e burocrático para as elites do século XVII. O seu conteúdo foca-se na arquitetura rígida da carta, estabelecendo fórmulas exatas de saudação, uso de títulos nobiliárquicos e despedidas que respeitavam a estrita hierarquia social da época. Além de ditar as normas de cortesia, o tratado ensina a moldar a linguagem de forma elegante e adaptável a diferentes destinatários — desde monarcas a mercadores —, oferecendo modelos práticos para cenários que incluem negócios, pedidos de favores, condolências e despachos oficiais. Em suma, mais do que um simples guia de redação, o texto de Emanuele Tesauro configura um autêntico manual de comportamento social e eficácia política disfarçado de correspondência.
Emanuele Tesauro (1591–1675) foi um célebre filósofo, historiador, dramaturgo e jesuíta italiano, consagrado como um dos maiores teóricos da estética e da literatura do período Barroco. Nascido em Turim no seio de uma família nobre, ingressou na Companhia de Jesus aos vinte anos, onde se destacou como brilhante professor de retórica, embora tenha abandonado a ordem mais tarde devido a tensões políticas. Ao longo da sua vida, atuou como diplomata, panfletário e historiador oficial da corte da Casa de Saboia, o que lhe conferiu uma profunda experiência prática no "político comércio" e nas dinâmicas de poder da época. A sua obra-prima, Il Cannocchiale Aristotelico (O Telescópio Aristotélico), revolucionou a teoria literária europeia ao defender a metáfora, o engenho e a agudeza como as ferramentas artísticas supremas, princípios estéticos que o próprio autor transpôs magistralmente para o campo da correspondência diplomática e civil na sua Arte de cartas missivas.
Ref.:
-Palau Vol. XXIII, pag. 107 ent. 330843