POR CHRISTOVAM RODRIGUES DE OLIVEIRA, Guarda roupa do Illustrissimo Senhor D. Fernando de Vasconcellos e Menezes, Arcebispo de Lisboa, e Capellaõ mór delRey D. Joaõ III. ADDICIONADO Por MANOEL DA CONCEIÇAM, e offerecido AO EXCELENTISSIMO SENHOR DIOGO DE MENDOÇA CORTE-REAL, Secretario de Estado de Sua bMagestade Fidelissima. LISBOA: Na Officina de MIGUEL RODRIGUES, Impressor do Emin[entissimo] Senhor Cardeal Patriarca. M. DCC. LV. [1755]. Com todas as licenças necessárias. Vendese na logea de Manoel da Conceição mercador de livros na rua direita do Loreto, e á sua custa impresso.
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In 4º (de 20x14 cm. Com (12), 176 pags.
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Encadernação da época inteira de pele com ferros lavrados a ouro na lombada e rótulo vermelho. Corte das folhas carminado. Apresenta vestígios de trabalho de traça na pasta anterior.
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O exemplar apresenta sobre a folha de rosto um ex-libris oleográfico da biblioteca dos Duques de Palmela; e um título de posse manuscrito na época com as iniciais : L. M. G. h.; e ainda uma ex-libris no verso da pasta de encadernação que atesta a posse mais recente do grande historiador e comunicador o Professor José Hermano Saraiva.
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2ª edição, primeira saiu em 1554.
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Obra originalmente impressa em Lisboa, sem data, cerca do ano de 1554, a qual, depois da de Damião de Góes, foi a segunda descrição da cidade de Lisboa. Porém, foi a primeira descrição escrita em língua portuguesa.
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A importância desta obra deve-se a que o autor, não só fez a descrição da cidade de Lisboa, como também descreveu a sua vida quotidiana como uma testemunha ocular no tempo das Descobertas.
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Considera-se a possibilidade da existência de uma variante desta segunda edição, com 199 páginas, tal como menciona Inocêncio II, pag. 73):
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«3.° Uma Carta aos socios do Jornal Estrangeiro de París, em que se dá noticia breve dos literatos e artistas mais famosos existentes em Lisboa; em nome de Miguel Tiberio Pedegache, mas que outros atribuem ao mesmo D. Thomas Caetano de Bem. Pag. 177 a 199»
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No entanto os exemplares nas bibliotecas nacionais portuguesas têm 176 páginas, e tal como este exemplar, não possuem o 3º Suplemento. Sff, confrontar BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL F. 4843 Microfilme.
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Neste exemplar existe um reclamo tipográfico CAR (da palavra Carta) no pé da página 176 que foi omitido com uma sobrecarga em papel branco. Acontece que a impressão desta edição pode ter sido subitamente interrompida pelo Terramoto de 1755, que sabemos ter destruído as oficinas e livrarias da rua do Loreto.
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Há que notar bem que a reedição do texto de 1554 termina na página 124. Daqui em diante o editor procurou adicionar mais informações actualizadas à época. Nesta segunda edição foi acrescentado um Suplemento por Manuel da Conceição (desde a página 125 em diante) que compreende o estado actual da cidade de Lisboa; uma Carta do Padre Tomas Caetano de Bem (desde a página 153 em diante) ácerca de uns monumentos romanos no sítio das Pedras Negras e apresentando transcrições epigráficas rigorosas.
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Segundo o prefácio da edição de 1908: “Um dos primeiros ensaios estatísticos que se fizeram entre nós, abrangendo não só a modalidade demográfica, como os aspectos industrial, comercial, religioso e de beneficência da cidade de Lisboa”
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Inocêncio II, 73 « Svmmario [… ] Sahiu novamente, addicionado por Manuel da Conceição, mercador de livros,Lisboa, na Offic. de Miguel Rodrigues 1755. 4.º de XII 199 pag. Os adicionamentos feitos consistem: 1.° Em um Supplemento, que compreende o estado presente de Lisboa, por Manuel da Conceição, mas que segundo a bem fundada opinião de alguns, é obra de D. José Barbosa. Pag. 125 a 150. - 2.º Uma Carta do P. D. Thomas Caetano de Bem, ácerca de uns monumentos romanos descobertos no sitio das Pedras Negras. Pag. 153 a 176. - 3.° Uma Carta aos socios do Jornal Estrangeiro de París, em que se dá noticia breve dos literatos e artistas mais famosos existentes em Lisboa; em nome de Miguel Tiberio Pedegache, mas que outros atribuem ao mesmo D. Thomas Caetano de Bem. Pag. 177 a 199. […] Tenho ouvido a pessoas estudiosas, que a edição de 1755 faz considerável differença da primeira, no tocante a exactidão, havendo naquela várias alterações e erros tipográficos. Não posso indicá-los aqui por não ter ainda tido oportunidade para confrontar ambas, com a miudeza que esta indagação requer. A dita edição de 1755 (da qual tenho um exemplar) é tambem tida em conta de rara. Os exemplares têm corrido desde 1:600 a 2:400 reis. O Sr. Figaniere possui hoje o que foi de Lord Stuart, comprado na venda do espólio deste diplomata por 2:250. Por muito tempo foi para mim incompreensível a causa da raridade dos exemplares de uma edição, proporcionalmente moderna, não conhecendo motivo que a justificasse. Afinal obtive saber, que a loja do livreiro editor Manuel da Conceição, sita na Rua do Loreto, fora uma das muitas incendiadas por occasião do terremoto de 1755: daí a falta das várias ohras, de que ele era proprietário, e que foram pasto das chamas, salvando se apenas os exemplares vendidos até o tempo da catastrofe, havendo ainda para descontar, quanto a estes, os que por idêntico motivo perecerarn nos locais particulares onde existiam em poder de seus donos».