PELO MESTRE Fr. PLACIDO DE ANDRADE BARROCO, DA ORDEM TERCEIRA DE S. FRANCISCO DE PORTUGAL. LISBOA, NA REGIA OFFICINA TYPOGRAFICA. ANNO M. DCC. XCI. [1791]. Com licença da Real Meza da Commissão Geral sobre Exame, e Censura dos Livros.
In 4º de 20,67x14,5 cm. com [xvi], 117, [i] págs. Encadernação da época, inteira de pele mosqueada em tons de verde, com ferros a ouro nas pastas, em cercadura e na lombada, com seis casas e pé, sendo duas delas com fundo azul escuro e uma com o rótulo vermelho. Cortes das folhas carminados.
Impressa em papel de linho muito sonante em caracteres itálicos (na dedicatória) e redondos na maior parte do texto.
Exemplar com leve pico de traça na lombada e no festo.
Obra com extensa dedicatória a Frei Manuel do Cenáculo, Bispo de Beja, impressa nas páginas preliminares. Texto com notas de rodapé contendo referências bibliográficas e profusamente comentado com as remissões citadas nas línguas arábica, hebraica e grega.
De grande importância para o estudo de uma questão fundamental da religião, ou seja a concepção do que é uma missa, do seu significado e da maneira como deve ser celebrada, que é um dos pomos de discórdia entre os católicos e ortodoxos de um lado e os protestantes de outro.
Muito valiosa também para o estudo da figura de D. Frei Manuel do Cenáculo e da Ordem Franciscana em finais do século XVIII.
O autor defende, com grande erudição bíblica, o uso de vestes especiais, belas e sumptuosas pelos oficiantes e participantes nas cerimónias litúrgicas, pois segundo a doutrina partilhada pelas Igrejas Católica e Ortodoxa, no momento solene da missa, o Corpo de Sangue de Cristo se transubstancia nas espécies vísiveis do pão e do vinho. Mistério que, como afirma o autor, «torna em Ceos as nossas Igrejas».
Frei Placido de Andrade Barroco (Lisboa, 1750 - 1813), franciscano da congregação da Terceira Ordem, professou a 7 de Junho de 1771. Exerceu o magistério na mesma Ordem, foi Definidor, Cronista e Ministro Geral da Ordem, eleito no capítulo de 16 de Maio de 1807. Era irmão do poeta Sebastião José Ferreira Barroco e foi amigo e colaborador de Frei Manuel do Cenáculo, tendo desenvolvido importantes actividades para o enriquecimento da Biblioteca do Convento de Jesus onde está hoje sediada a Academia das Ciências.
Ref.: Inocêncio VII, 15.