Capa de Alberto Sousa. Por... Tipografia Central. Leiria. 1925.
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De 24x17 cm. Com xxiv, 256, [i] págs. Brochado. Ilustrado no texto com figuras e capitulares ornamentadas; em extratexto, sobre 26 folhas de papel couché, com fotografias, fac-similes e reproduções de obras, principalmente paineis e pormenores dos mesmos.
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Exemplar N.º 22 de uma «Tiragem especial de 100 exemplares em papel de linho, numerados e assinados pelo autor».
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Os Painéis foram redescobertos em 1883, numa sala escura do Paço Patriarcal de S. Vicente de Fora, mas um estudo completo, do qual ainda hoje usamos as denominações aí avançadas para cada painel, só surgiria em 1910, terminado o restauro das pinturas e logo seguido pela sua exposição em permanência no Museu Nacional de Arte Antiga. José de Figueiredo, um historiador e crítico de arte com sólida formação teórica e talento literário, era o autor da monumental monografia e, igualmente, o director e reorganizador do museu nacional às Janelas Verdes. Figueiredo tinha ideias e hipóteses explicativas geralmente claras e bem argumentadas sobre todos estes assuntos. A obra, por ele datável de 1459-1464, teria sido encomendada por D. Afonso V na sequência da conquista de Alcácer-Ceguer (1458), prestando com ela culto a S. Vicente, patrono da retoma da expansão portuguesa no Norte de África e figura central do políptico.
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No entanto, em 1925, um professor de Leiria, José Saraiva, pai do conhecido José Hermano Saraiva, publica o presente livro em que vem contrariar o essencial do pensamento de Figueiredo, principalmente a sua identificação da figura central. Tratava-se, segundo Saraiva, de D. Fernando, o Infante Santo, refém dos mouros no desastre da expedição portuguesa a Tânger (1437) e morto em Fez (1443) após prolongado cativeiro.
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No antelóquio o autor explica: «Em duas partes vai dividido o meu estudo. Na primeira parte, […] julgo deixar demonstrada até à evidência a impossibilidade da solução imposta pelo Sr. Dr. José de Figueiredo. Na segunda parte, […] apresento a interpretação dos painéis e a identificação de muitas das suas figuras».
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Os Painéis destinavam-se, assim, a glorificar o Infante Santo, cumprindo um desejo de homenagem do Infante D. Pedro, seu irmão, regente do reino e presumível encomendador do políptico, e correspondendo a um culto nascente do mártir de Marrocos na sociedade portuguesa. Por consequência, as pinturas nada teriam a ver com o retábulo de S. Vicente da Sé de Lisboa e havia que recuar a sua execução para antes do episódio da batalha de Alfarrobeira (Maio de 1449), em que D. Pedro foi morto, apontando Saraiva uma datação em torno de 1445 e a atribuição autoral a um pintor que estivera já ao serviço de D. João I, Gonçalo Eanes.
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Em 2018, Fernando Branco - Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico, Membro Honorário da Academia Portuguesa de História e membro do CIJVS - estabeleceu a relação entre a Crónica do Infante Santo D. Fernando de Frei João Álvares (sec. XV) e os Painéis de S. Vicente mostrando que estes, seguindo a Crónica, ilustram uma veneração ao Infante Santo e aos seus companheiros de martírio.
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«A análise realizada mostra que o homem do Chapeirão dos Painéis de S. Vicente é efectivamente o Infante D. Pedro e simultaneamente inviabiliza poder ser o Infante D. Henrique que nos aparece representado como uma das figuras do Painel dos Cavaleiros [...] Tal localiza a realização dos Painéis no período da Regência de D. Pedro, e será naturalmente ele o Patrono dos Painéis, e, a partir dele, toda a história dos Painéis terá uma nova interpretação» (Retirado do estudo de Fernando Branco).
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Ref.: Quem está retratado nos “Painéis de S. Vicente”? - Público; «Os Infantes D. Henrique e D. Pedro nos Painéis de S. Vicente» de Fernando Branco; O Infante D. Henrique. O rosto esclarecedor do ‘Homem de Chapeirão’ - Jornal Sol.