[Por] Camillo Castello-Branco. Livraria de António Maria Pereira. Lisboa. 1863.
De 18x12 cm. Com 235, [ii] págs. Encadernação com a lombada e cantos em pele, nervos e ferros a ouro, folhas de guarda em papel marmoreado e marcador de páginas em fita de cetim azul.
Exemplar com sinais de restauro grosseiro com fita-cola na folha de anterrosto.
Sátira social centrada na alta burguesia portuense, o romance relata as peripécias de Basílio Fernandes Enxertado, filho de um rico comerciante do Porto, por um narrador que se identifica como amigo de Basílio. Muito embora pretenda contar a saga de um herói, título que o narrador atribui à personagem, nem por isso deixa de o ridicularizar. Um dos narradores mais irônicos da obra camiliana, pois ao mesmo tempo em que se mostra disposto a defender o suposto amigo, bem como a burguesia a que pertence, expõe o oportunismo em que se fundamentam suas relações.
As cenas cómicas e irónicas que compõem o romance de 1863, para além de divertirem o leitor, retratam como a influência da família Enxertado culmina em benefícios jurídicos bastante particulares que ignoram a legislação vigente no período. A prática do favor, acionada pelo dinheiro, instigou José Fernandes Enxertado, pai do protagonista, a tomar duas providências que determinaram a direção da narrativa: impedir um casamento indesejado e adquirir um título de nobreza.
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825-1890), nasceu em Lisboa em 1825. É um dos maiores romancistas e novelistas do século XIX e autor de diversas obras de erudição, crítica literária, poesia, teatro e polémica, deixando um vasto epistolário. O seu estilo caracteriza-se por uma prosa muito rica, tendo como influencias os grandes escritores portugueses do séc. XVI e XVII. Situa-se numa linha da prosa portuguesa que influenciou escritores como Agustina Bessa Luís. Teve uma vida bastante dificultada pelas complexidades da época para os autores. Suicidou-se em 1890 após sofrer de cegueira.
Referências/References:
Biblioteca Digital da UNESP, Brasil