In 8.º de 14,1x13,6 cm. Com xii, 77, [vii] págs. Encadernação da época inteira de pele com elaborados ferros a ouro com a representação de girassóis na lombada, nas seixas, e com uma esquadria gravada a seco nas pastas. Folhas de guarda em papel marmoreado.
Ilustrado com seis belas estampas desenhadas por Edward Francis Burney, expressamente para esta edição, impressas pelo editor em extratexto sobre papel mais encorpado e protegidas por folhas de papel manteiga, com a excepção das n.º 3 e 4. Cada estampa tem uma legenda bilingue em espanhol e inglês: 1 - La Muñeca recibida - The Doll received, em frente da folha de rosto; 2 - La Muñeca vestida - The Doll dressed, p. 14-15; 3 - Cantan a la Muñeca - Singing the doll to sleep, p. 16-17; 4 - La Muñeca aprende su leccion - The Doll at her lesson, p. 20-21; 5 - La Muñeca va a paseo - The Doll going to walk. 6 - Castor y la Muñeca Bailando - Romeo and the Doll at Play, p. 24-25.
Exemplar com desgastes na coifa, nos cantos da encadernação e com falta do rótulo. Com Ex-libris de José Bonfim Barreiros, desenhado por António Lima e gravado por Renato Araújo, em 1948. Rasgão nas páginas xi-xii, sem afectar o texto e com a gravura n.º 5 encadernada ao contrário e com minúsculos furos de traça na margem inferior. Com leve desgaste nas folhas de protecção das gravuras e pequenas manchas nas margens de alguma delas.
Impressão muito nítida das gravuras e do texto realizada por Carlos Wood, de Londres.
Na frente da segunda folha de guarda anterior tem uma inscrição em espanhol manuscrita em letra coeva indicando que a obra foi dedicada pelo autor à sua filha, Doña Maria de la Gloria Allen de Urcullu, que em 1826 tinha quatro anos e vivia no Porto, enquanto o seu pai estava emigrado em Inglaterra.
As páginas preliminares contêm um prefácio do tradutor, e a dedicatória a sua filha numa poesia em versos de seis sílabas e com seis estrofes. As páginas finais incluem uma nota do autor dando conta das medidas tomadas contra a venda de contrafacções dos seus livros na América latina, um catálogo de obras espanholas publicadas pelo editor e um anúncio do início da publicação do Correo Litterario y Politico de Londres, periódico trimestral destinado à América Latina.
Obra de literatura infantil com acentuado carácter educativo destinada a ser enviada para os novos países de língua espanhola da América Latina, onde o editor, para quem Urcullu trabalhou muitos anos, tinha numerosas sucursais.
É muito rara. O facto de se destinar a crianças pode ter levado a um elevado desgaste e perdas dos exemplares. Não existem exemplares catalogados na Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca Nacional de Espanha, na Biblioteca Nacional Mariano Moreno da Argentina e na Biblioteca Nacional de México.
O original inglês, de autoria anónima, foi publicado pelo mesmo editor e no mesmo ano com o título: The new doll; or Grandmamma's gift.
José Urcullu (Bilbao, 1790 - Lisboa, 1852). Escritor e militar espanhol, foi um grande partidário do liberalismo e pertenceu à Sociedade Patriótica da Corunha. Expôs as suas ideias liberais em diversas peças de teatro publicadas desde 1818 e no chamado Triénio Liberal, 1820 a 1823 período em que vigorou em Espanha um regime liberal extremista, que foi derrubado pelo rei Fernando VII apoiado por uma intervenção de tropas francesas aprovada por muitos países europeus. Urcullu fugiu e exilou-se em Inglaterra onde desenvolveu uma grande actividade como escritor de livros escolares destinados a serem vendidos nos novos países independentes de toda a América Latina. Antes, em 1822 tinha casado com a luso-britânica Margarida Allen. Em 1834, depois da morte de Fernando VII, voltou à península, mas fixou-se em Portugal, por influência da sua mulher, onde continuou a sua actividade de escritor de livros escolares e didáticos, escrevendo em espanhol, português e traduzindo algumas das suas obras espanholas para português.
É autor de uma vasta obra constituída por peças de teatro, obras de ficção, entre elas contos góticos, obras sobre política e história, obras didáticas para serem usadas no ensino e diversas traduções. Algumas dessas obras foram escritas em português, no período em que viveu no nosso país, e estão descritas por Inocêncio, tais como:
Tractado elementar de Geographia astronomica, physica, historica ou politica, antiga e moderna. 3 Volumes. Porto, na Offic. de Alvares Ribeiro 1835, Typ. Commercial Portuense 1837 e 1839; Grammatica ingleza para uso dos portuguezes, reduzida a vinte e septe lições. Lisboa, 1830. Outras edições em 1848 e 1853; Cantata pelo motivo da visita feita à heróica cidade do Porto por [...] D. Maria II, e [...] o Senhor D. Pedro e sua augusta esposa. Porto, na Imp. dos Lavadouros. 1834; O livro dos meninos por D. Francisco Martinez de la Rosa, traducção do hespanhol por D. José de Urcullú, Quarta edição, Lisboa, Imp. Nacional, 1862.
As principais obras do período que viveu em Espanha e depois em Inglaterra são as seguintes: Relación histórica de los acontecimientos más principales ocurridos en la Coruña, con objecto de restablecer la Constitución. Iguereira. Coruña. 1820; Lecciones de moral, virtud y urbanidad. Oliva. Gerona. 1837, que foi editada mais cinco vezes até 1859 e foi traduzida para português por Francisco Freire de Carvalho, em 1838, com várias edições.
Edward Francis Burney (Worcester,1760 - Londres, 1848). Estudou nas Escolas da Academia Real, desde 1776, onde foi discípulo de Joshua Reynolds. Exibiu quadros na Academia Real, desde 1780 a 1803. A sua obra inclui assuntos históricos, aguarelas satirizando a vida social e musical da época, retratos de amigos e familiares, mas a maior quantidade foi destinada à ilustração de livros, tais como o romance Evelina, e 1791, da sua prima Frances Burney e o Paraíso Perdido de Milton.
Referências:
Palau (1990) 85.
Inocêncio V, 149; XIII, 233.