Tomo I. Por Marques Gomes, da academia real das sciencias de Lisboa e do instituto de Coimbra. Imprensa Nacional. Lisboa. 1894.
De 22,5x15 cm. Com clxxvi, 630 págs. Encadernação da época com lombada em pele e ferros a ouro.
Exemplar com etiqueta do encadernador Alberto Vianna, Coimbra no verso da pasta anterior, acidez nas folhas preliminares e finais e dedicatória manuscrita do autor a Lopes Praça, em parte cortada pelo aparo, e carimbo oleográfico do mesmo na folha de rosto.
Único volume publicado.
Obra em que o autor dá a conhecer a história dos partidos políticos em Portugal, num período muito rico em convulsões e revoltas partidárias. Fala dos vintistas e da sua fé inabalável nos princípios da revolução liberal de 1820, dos moderados, dissidentes dos princípios que presidiam à revolução liberal, dos absolutistas que aceitavam a transição para o liberalismo, mesmo discordando do novo regime, e dos ultra-realistas que apenas reconheciam a autoridade do reino a D. Carlota Joaquina (Lutas Caseiras, p. LXX). Obra sobre o constitucionalismo liberal num período específico (1834 a 1851), baseando-se em citações de deputados das cortes. Procura descrever as bases e princípios que eram estabelecidos pelos partidos, bem como o confronto ideológico. É evidente o apego aos conceitos de «revolução» e «contra-revolução» e a tendência para tomar partido dos princípios liberais, próprios da época. Este facto é notório logo no princípio da obra em que glorifica a Revolução Liberal de 1820, e em que atribui parte do sucesso no desfecho à participação de Aveiro, sua terra natal.
Tem um apêndice, com cerca de 150 páginas, intitula-se «A verdade histórica e a História da Revolução de Setembro por José de Arriaga».
João Augusto Marques Gomes (Vera-Cruz, Aveiro, 1853–1931), filho do bacharel Francisco Tomé Marques Gomes e de D. Ana Candida de Barros e Almeida. Amanuense do Governo Civil do distrito de Aveiro; sócio correspondente das Sociedades de Geografia de Lisboa e de Geografia Comercial do Porto. Iniciou a sua carreira literária em 1873, escrevendo artigos sobre as antiguidades da sua terra natal.
José Joaquim Lopes Praça (Alijó, 1844 - Montemor-o-Novo, 1920), ilustre filósofo, historiador, jornalista, ensaísta, constitucionalista, docente da Faculdade de Direito de Coimbra e mestre de Filosofia do malogrado príncipe D. Luís Filipe, iniciou a atividade profissional como docente de estudos secundários em Montemor-o-Novo poucos meses após a sua formatura em Direito.
Inocêncio X, 167.