In 4.º de 23,5x16,5 cm. Com [ii], v, [i em br.], 51, [i em br.], [xvi] págs. Encadernação recente inteira de pergaminho da época, com vestígios de fechos em pele.
Ilustrado no texto com pautas e símbolos musicais e em extratexto, nas últimas folhas, com 8 gravuras desdobráveis com a localização das notas na guitarra, tablaturas, partituras de pequenas peças e 28 posições para acordes maiores e menores.
Impressão muito nítida. Inclui uma vinheta com uma viola na folha de rosto, um cabeção e uma inicial decorada com motivos vegetalistas na primeira página em numeração árabe, filetes simples ao longo do texto e dois florões de remate.
Exemplar intonso (por aparar) com pequenas manchas na pasta posterior e encadernação restaurada, com folhas de guarda novas.
Prólogo do autor nas páginas em numeração romana. Páginas 49 a 51 com índice. A página 48 está em branco.
Pequeno manual de introdução à viola toeira, ou viola de Coimbra, típica da região da Beira Litoral. Obra muito rara e importante para o estudo da história dos instrumentos de corda dedilhada em Portugal, em especial da viola, assim como para diversos estudos de musicologia, nomeadamente sobre as técnicas de interpretação.
A obra divide-se em duas partes, a saber: parte primeira — descrição da forma de montar cordas e da sua afinação, apresentação de conceitos teóricos e de notação e simbologia elementar, posições das notas e de acordes maiores e menores; parte segunda — solfejo e método para acompanhar uma melodia.
É curioso notar que o autor utiliza a notação alfabética das notas ao invés da silábica, isto é, C, D, E, F, G, A, B, ao invés de dó, ré, mi, fa, sol, lá, si, estabelecendo a relação entre estas notações no início da obra. No prólogo, o autor declara-se um amador e simples curioso e cita como referência a Enciclopédia Metódica do Dicionário de Música de Rousseau e os Elementos de Música de Rameau.
A viola toeira tinha 12 cordas de arame ou tripa organizadas em 5 ordens: as três ordens mais agudas eram duplas e afinadas em uníssono, as duas ordens mais graves triplas e afinadas em oitava. Neste manual utiliza-se a afinação: Mi4 (uníssono); Si3 (uníssono); Sol3 (uníssono); Ré3 (com oitava acima); Lá2 (com oitava acima).
Foi um instrumento muito importante na vida musical dos estudantes da Universidade de Coimbra até à segunda metade do século XIX, ouvida nas músicas cantadas pela cidade. Entrou em declínio no final desse século, quando foi substituída pela guitarra portuguesa de Coimbra, atualmente usada no Fado de Coimbra. Quando um estudante se enamorava era costume convencer alguns dos seus colegas para o acompanhar nas noites mais claras, iluminadas pela lua cheia, pois não existia iluminação pública nas ruas, a cantar uma serenata à janela da sua amada.
Manuel da Paixão Ribeiro foi professor de gramática Latina e de primeiras letras na cidade de Coimbra. Desconhecem-se outros dados biográficos.
Ref.:
-Dicionário Biográfico dos Músicos Portugueses, II 259.
-Avila Perez, 5551.
-Aníbal Fernandes Tomás, 3716.
-Inocêncio, VI, 76, 1152.