De 22x15,5 cm. Com 26 fólios sem numeração. Encadernação artística inteira de pele marroquim negro com dois rótulos vermelhos e ferros a ouro na lombada e com ferros a ouro nas pastas formando esquadria decorada com ferros a seco no interior e tendo ao centro o título do livro emoldurado por ferros a ouro com volutas e motivos vegetalistas. Com ferros a ouro nas seixas.
Profusamente ilustrado com 26 gravuras na frente dos fólios, retrato do santo na folha de rosto, 24 emblemas gravados a buril em chapa de aço e numerados, sobre diversos milagres e passos da vida de Santo António realizados por Inácio Colombo e António Colombo, e mais uma gravura com a imagem que se venera no lugar de Arcela, perto de Pádua, onde Santo António morreu.
A folha de rosto, gravada por Antonio Colombo, está ilustrada com o busto de Santo António, segurando um lírio, logo por debaixo do título e acima do conteúdo da obra e da indicação do gravador estando emoldurada por um conjunto de finas volutas e traços caligráficos. Os 24 emblemas gravados representam acções e milagres de Santo António, estando os sete primeiros assinados por Ignazio Colombo, os 8 a 10 assinados Colombo; os 11 e 12 sem assinatura; o número 13 é de António Colombo; o 14 só Colombo; 15 é de Ignazio Colombo; os 16.º e 17.º de Antonio Colombo; o 18.º de Ignazio Colombo; o 19.º e o 21.º são de Antonio Colombo; o 22.º a 24.º e a gravura final não estão assinados.
Raríssima 1.ª edição deste conjunto de gravuras de emblemática religiosa publicadas em separado, que teve 2,ª edição, juntamente com um resumo da obra sobre Santo António do Padre Manuel de Azevedo: Vita e miracoli del gloriosissimo taumaturgo Santo Antonio di Padova. Edizione nuovissima accuratamente epilogata dalla celebre opera dell'abate Emmanuele de Azevedo adorna di XXV tavole in rame. Padova, per Valentino Crescini, 1829.
Magnífico livro de emblemas em louvor de Santo António. Cada gravura, com representações muito elaboradas de milagres e passos da vida de Santo António relativas ao seu poder de taumaturgo, pregador e sábio, apresenta uma legenda em latim com citações de passos da Bíblia alusivos aos temas de cada gravura, uma explicação em italiano e uma frase curta final com a moralidade a tirar, que serão da provável autoria de Manuel de Azevedo.
Obra que se destinava a ensinar pela combinação da imagem, dos títulos, das legendas e das moralidades a doutrina da Igreja Católica, conforme foi ensinada pelo Santo, no período da vigência do pensamento da reforma católica posterior ao Concílio de Trento.
Esta notável obra é de grande importância para estudar a relevância da imagem, reforçada por legendas e moralidades, como instrumento didático de grande poder, com o desejo de criar uma consciência colectiva e globalizadora que concretizava a missão apostólica e de evangelização contida na palavra e na vida de Santo António.
Por outro lado, é muito importante para o estudo do desenvolvimento das técnicas da gravura, da impressão e da divulgação das ideias nas sociedades do Antigo Regime e que se manteve sobre diversos aspectos até aos nossos dias nos chamados registos de santos.
Lista dos emblemas: 1 - A mãe do santo ofereceu-o à Virgem desde tenra idade: 2 - Reação do Santo ao ver as relíquias dos Mártires de Marrocos a chegarem a Coimbra; 3 - Representa a tomada do hábito ao entrar na Ordem dos Frades Menores; 4 - Representa a partida do Santo para África a bordo de um navio; 5 - Primeiro sermão pregado pelo Santo em Forli, que tornou conhecida a sua excepcional capacidade oratória e vasto saber. 6 - Nomeação como Mestre nas Escolas Franciscanas por S. Francisco; 7 - Milagres da bilocação do Santo que estava ao mesmo tempo, no coro do Convento e em locais públicos a pregar ao povo; 8 - Milagre de oferecer, por meio de um sopro na face, uma forte vocação religiosa a um noviço que estava hesitante; 9 - Milagre da restituição dos cabelos a uma mulher alvo de violência doméstica e a quem o marido os tinha rapado. 10 - Milagre da expulsão dos demónios que tentavam deitar abaixo o palco onde o Santo pregava; 11 - Milagre de ficar ilesa uma criança que caiu numa caldeira de água a ferver; 12 - Milagre de ter ordenado que a chuva não caísse sobre a multidão que o ouvia pregar; 13 - O santo desmascara um demónio disfarçado que queria perturbar os ouvintes dum seu sermão; 14 - Assegura a um fiel que se confessava que Deus já lhe tinha perdoado todos os pecados; 15 - O santo rodeado por cinco personagens aponta para uma arca cheia de tesouros, indicando que os fiéis só devem pensar nos tesouros eternos que os esperam no Céu; 16 - O santo prevê que um jovem dissoluto será um mártir pela Fé; 17 - Milagre da cura de uma criança que tinha cortado o próprio pé arrependido de ter pontapeado a mãe; 18 - O Santo recebe nos seus braços o Menino Jesus; 19 - Milagre de ter prometido a uma mulher que viria ser mãe e de ter previsto que o filho seria um grande santo; 20 - O Santo repreende o Tirano Ezelino fazendo-o cair aos seus pés; 21 - Milagre da pregação aos peixes que colocando as cabeças fora da água bendizem Deus Nosso Senhor; 22 - Milagre de uma mula ter adorado de joelhos o Santíssimo Sacramento do Corpo de Deus, quando o herege Bonvillo não o quis fazer; 23 - Salva o seu pai injustamente condenado por homicídio; 24 - No dia em que o Santo António morreu as crianças começaram a gritar. «Morreu o Santo!»
Ignazio Colombo (Verona, 1752 - Padova, 1825) gravador italiano, que estudou em Roma, trabalhou em Pádua, desde 1778 e depois se instalou em Veneza, a partir de 1790. Entre as suas muitas obras destaca-se: Veduta notturna del Prato della Valle a Padova; e Bagno Publico a Constantinopoli.
Manuel de Azevedo (Coimbra, 1713 - Piacenza, 1796) entrou na Companhia de Jesus, em 1728. Em Coimbra fez o noviciado e estudou Humanidades e Filosofia. A partir de 1736, lecionou Latim, Retórica e Humanidades no Colégio de S. Antão, em Lisboa, e, de 1739, Retórica na Universidade de Évora, onde começou a estudar Teologia em 1741, prosseguindo a formação em Roma, a partir do ano seguinte. Concluídos os estudos teológicos, a partir de 1746, foi o procurador em Roma quer da Jacobeia5, quer do episcopado português, na polémica do Sigilismo. Foi, como já referimos, secretário do Papa Bento XIV, mas também consultor da Congregação dos Sagrados Ritos, professor da primeira cátedra de Liturgia, a Schola Sacrorum Rituum do Colégio Romano, e membro das Academias de Liturgia e de História Eclesiástica, criadas pelo mesmo Pontífice. Por pressão do Marquês de Pombal foi afastado de Roma e passou a viver em diversas cidades italianas.
SANTO ANTÓNIO DE LISBOA (Lisboa, 15 de Agosto, de 1195? - arredores de Pádua, 13 de Junho, de 1231) Um dos maiores Santos da Igreja Católica e do Cristianismo, o primeiro português a obter uma projecção universal, foi canonizado logo em 30 de Maio, de 1232, pela Bula, Cum dicat Dominus, do papa Gregório IX.
Santo que une de forma extraordinária e muito raramente atingida, uma grande erudição, profundo domínio da teologia e insigne valor literário, com uma elevada vivência da mística e poderosa capacidade de transmitir a sua fé, inclusive por meio de grande número de milagres e dotes oratórios que o tornaram célebre. Um santo declarado doutor da Igreja é ao mesmo tempo, um dos mais populares de sempre. Sendo autor de uma obra literária e teológica de grande densidade, exigência e valor, penetrou e vivificou profundamente a fé popular dos mais simples fiéis e mesmos dos indiferentes em matéria de religião, tendo o seu culto influenciado fortemente a arte popular e erudita, a poesia e o folclore em muitas regiões do mundo.
O seu culto propagou-se em Espanha, França, Itália e por todo o mundo, sendo também venerado pela Igreja Anglican. É célebre a sua intercessão em ajudar na descoberta de coisas perdidas e como casamenteiro. Existem muitas igrejas que foram colocadas sob a sua invocação, como por exemplo o grandioso Convento de Mafra, e quase todas têm altares ou capelas em sua honra.
Apesar de o Padroeiro de Lisboa ser S. Vicente, Santo António suplantou-o na devoção popular, sendo realizados festejos em sua honra, durante todo o mês de Junho, com o ponto alto da procissão de dia 13, que é uma das mais concorridas do país, os arraiais populares, com a venda de sardinhas assadas, a venda de mangericos, os bailaricos, as marchas dos bairros populares na Avenida da Liberdade e a realização dos casamentos de Santo António, onde hoje participam até casais que não são católicos.
Exemplo da excepcional devoção que lhe é consagrada é a carreira militar de Santo António. D. Afonso VI, mandou alistar o Santo como soldado durante a fase final da Guerra da Restauração, o que foi celebrado por muitos poetas da época. Esta decisão foi o início de uma carreira que se estendeu além-fronteiras, com o Santo a receber inúmeros títulos militares, de Soldado raso a Coronel do Exército e General, no Brasil, Angola, Timor, Macau e Índia. Em 1814, D. João VI atribuiu-lhe a Grã-Cruz da Ordem de Cristo em reconhecimento da sua intercessão durante o período das guerras napoleónicas, em especial na Batalha do Buçaco.
Nasceu perto da Sé de Lisboa, no local onde hoje está construída a Igreja da sua invocação, com o nome de Fernando de Bulhões, frequentou durante sete anos a Escola Episcopal anexa à Sé, ingressou, em 1211, na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de S. Vicente de Lisboa, transferindo-se depois para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde podia dedicar-se mais ao estudo e meditação.
Em Coimbra tomou contacto com alguns dos primeiros frades da ordem de S. Francisco que estiveram na cidade antes de irem para Marrocos evangelizar os infiéis, morrendo mártires no Norte de África. Muito impressionado com o seu exemplo, de elevação espiritual, culto da pobreza e ambição de expandir a Fé, Fernando ingressou, em 1220, na nova Ordem fundada por S. Francisco de Assis e partiu também para o Norte de África.
Devido a uma doença foi obrigado a voltar para Portugal, mas a embarcação em que seguia foi levada por uma tempestade para as costas da Sicília, em Messina, por isso em Maio desse ano de 1221 pode participar no Capítulo Geral, em Assis, que foi depois designado Capítulo das Esteiras, por terem participado tantos frades que tiveram de dormir em esteiras. Neste capítulo conheceu S. Francisco de Assis. Após viver algum tempo no eremitério de Montepaolo pregou pela primeira vez em público na vizinha cidade de Forli com tal êxito que passou a pregar sermões em muitos locais do norte de Itália e sul de França. Ao mesmo tempo, inaugurou a primeira Escola de Teologia dos Franciscanos, em Bolonha, onde foi professor, assim como nas escolas de Toulouse e Montpellier, em França.
Exerceu também diversos cargos na Ordem de S. Francisco: Guardião do convento de Puy-en-Velay, Custódio do Convento de Limoges. Depois da morte de S. Francisco, participa no Capítulo Geral de Assis, em 1227, onde foi nomeado Provincial da Itália do Norte, múnus que exerceu até 1230. Durante esse período pregou em Roma perante o Papa Gregório IX, dos cardeais e de grande multidão, concitando tal admiração que o papa o chamou - Arca do Testamento, pelo seu domínio das sagradas Escrituras.
A partir de 1230 e até morrer, em 1231, fixou-se em Pádua, onde continuou a pregar e se dedicou a escrever a sua obra, onde condensou todos os seus estudos, experiências místicas e de pregador.
Referências/References:
OPAC SBN IT/ICCU/PUVE/023785 (1.ª Edição)
OPAC SBN IT/ICCU/MILE/052834 (2.ª Edição, com resumo da obra de Manuel de Azevedo)