Publicação Mensal. Livraria Editora de Mattos Moreira & C.ª. Lisboa. 1875-1877.
12 Volumes encadernados em três de 16,5x12 cm. Com 95; 84; 80; 87; 72; 71; 74; 74; 76; 84; 80; 85, [iii] págs. Encadernação com lombada em pele e ferros a ouro. Cortes das folhas levemente mosqueados.
Exemplar com correção manuscrita nas folhas de rosto, nas datas dos vols. V e VI; dedicatória de oferta na folha de rosto do vol. VI; dedicatória de oferta de José Falcão a Sociedade de Instrucção 'Alexandre Herculano' na folga de guarda do Vol. IX.
Impresso pela Typ. Editora. Contém citações do Teatro de Manoel de Figueiredo. Censores do Theatro, T. VI, pag. 36; H. Heine, Reisebilder; João de Barros, Decada 1, prologo; e Paul Bourget, nos volumes I, II, IX, X e XI.
As "Novelas do Minho" (1875-1877) são uma das obras mais importantes de Camilo Castelo Branco, compostas por oito narrativas que retratam a vida rural, os costumes e os dramas da região do Minho no século XIX
Este conjunto contém os seguintes volumes:
Volume 1 - I Gracejos que Matam: Uma história centrada em jogos de intriga e ironia que, embora pareçam inofensivos "gracejos", acabam por ter consequências trágicas ou fatais para as personagens envolvidas, revelando a crueldade escondida nas relações sociais. II - Commendador: Aborda a ascensão social e os conflitos de honra. O protagonista, que obteve o título de comendador, enfrenta o choque entre os seus ideais de fidalguia e a realidade da vida camponesa, num enredo marcado por vaidade e questões financeiras. III - O Cego de Landim: Narra a história de um homem que, apesar da sua cegueira, mantém uma percepção aguçada sobre a moralidade e os pecados da aldeia. A trama explora a bondade e a redenção num ambiente de preconceitos. IV - A Morgada de Romariz: Um drama familiar que foca na figura da morgada (herdeira de bens vinculados), tratando de questões de herança, casamentos por conveniência e os sacrifícios impostos às mulheres pela estrutura patriarcal da época.
Volume 2 -V - O Filho Natural, Primeira Parte; VI - O Filho Natural, Segunda Parte: Explora o estigma social da ilegitimidade. O enredo segue as dificuldades de um filho nascido fora do casamento que tenta encontrar o seu lugar e reconhecimento numa sociedade rigidamente estratificada. VII - Maria Moysés, Primeira Parte; VIII - Maria Moysés, Segunda Parte: Considerada uma das obras-primas da coletânea, conta a vida de Maria, uma criança abandonada num rio (como o Moisés bíblico) que cresce para se tornar uma figura de abnegação e caridade, enfrentando o sofrimento com resiliência.
Volume 3 - IX - O Degredado: Foca na história de um homem condenado ao exílio (degredo). A narrativa explora os temas do crime, do castigo e da impossibilidade de regresso ou integração, marcada pelo fatalismo típico de Camilo. X - A Viuva do Enforcado, Primeira Parte; XI - A Viuva do Enforcado, Segunda Parte; XII - A Viuva do Enforcado, Terceira Parte: Uma narrativa sombria que lida com o crime e a justiça. Centra-se na vida de uma mulher cujo marido foi executado, explorando o peso da culpa, a marginalização social e os sentimentos de vingança ou desespero.
Camillo Castello Branco (1825, em Lisboa - 1890, S. Miguel de Seide, Famalicão), com uma breve passagem pelo curso de Medicina, estreia- se nas letras em 1845 e em 1851 publica o seu primeiro romance, anátema. Em 1860, na sequência de um processo de adultério desencadeado pelo marido de Ana Plácido, com quem mantinha um relacionamento amoroso desde 1856, Camilo e Ana Plácido são presos, acabando absolvidos no ano seguinte por D. Pedro V. Entre 1862 e 1863, Camilo publica onze novelas e romances, atingindo uma notoriedade dificilmente igualável. Tornou-se o primeiro escritor profissional em Portugal, dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular a partir da observação da sociedade, com inclinação para a intriga e análise passionais. Considerado o expoente do romantismo em Portugal, autor de obras centrais na história da literatura nacional, como Amor de Perdição, A Queda dum Anjo e Eusébio Macário, Camilo Castelo Branco, cego e impossibilitado de escrever, suicidou-se com um tiro de revólver a 1 de Junho de 1890.