Contos. Colecção Novos: Séries - Novos Contistas, N.º 3. Portugália Editora. Lisboa. 1963.
De 20,5x13 cm. Com 160, [iii] págs. Brochado. Capa de João de Câmara Leme.
Primiera edição. Impresso na Tip. Leandro. Existe exemplares na Porbase.
Primeira e mais célebre obra em prosa do autor. O livro, composto por um conjunto de narrativas curtas e de enredos aparentemente simples (como o famoso Cães e Marinheiros), é um marco da literatura contemporânea por dissolver as fronteiras entre a narrativa ficcional e a poesia, estruturando-se em textos curtos de densidade existencial. A obra retrata a solidão, o vazio urbano e a busca de sentido através de uma caminhada circular onde o narrador encontra no corpo uma dimensão redentora e divina. Destaca-se por uma linguagem rítmica e imagética que transforma a prosa num objeto puramente poético.
Herberto Helder (Funchal, 1930 – Cascais, Cascais, 2015) foi um importante poeta português, nascido no Funchal e de ascendência judaica. Estudou em Lisboa e Coimbra, mas abandonou o curso de Filologia Românica sem o concluir. Depois de regressar a Lisboa assumiu vários trabalhos temporais, e entrou em contacto com um círculo de artistas e escritores como Mário Cesariny, Luiz Pacheco, João Vieira e Hélder Macedo, conhecido como o grupo 'café gelo', aproximando-se do surrealismo e de vários escritores e artistas. Publicou obras marcantes como O Amor em Visita, A Colher na Boca e Os Passos em Volta. Conhecido pela sua poesia singular, manteve uma vida reservada, recusando prémios, entrevistas e a exposição pública.
Ref.:
-Pedro Belo Clara. Os passos em volta, de Herberto Helder. 2014 in Blogletras