TRADUZIDOS EM FRANCEZ Por Mr. Galland e do francez em portuguez Pelo Traductor do Viajante Universal. Tomo 1 [ a Tomo 8]. LISBOA Na Typografia Rollandiana. 1800 [1801, 1801; 1802; 1802; 1802 e 1803]. Com Licença da Meza do Desembargo do Paço.
7 Volumes in 12.º de 15,5x9 cm. Com 383; 352, [iv]; 365, [iii]; 350; 390, [i]; 380, [iv]; 356, [iv] págs. Encadernações da época inteiras de pele com nervos e ferros a ouro nas lombadas. Ornamentados no início dos contos com cabeções tipográficos.
Exemplar com as folhas oxidadas próprias do papel, anotações a tinta marginais e dispersas, ocasionais manchas de humidade, dispersas manchas e leves que atingem a mancha gráfica. Tem em falta o volume V.
Conjunto muito raro, ainda que incompleto, de uma obra importante para o estudo da tradução em Portugal. Primeira tradução portuguesa, em 8 volumes, traduzida da primeira tradução francesa de 1704-1717 de Antoine Galland, primeira versão europeia em 12 volumes: Les mille et une nuits. Em 1797, Bocage traduz do francês o conto «As Chinelas de Abu-Casem», um episódio relacionado com As Mil e Uma Noites. Surge em Lisboa a primeira tradução portuguesa da obra, entre 1800 a 1803, anónima e baseada na tradução francesa de Antoine Galland. A Porbase possúi apenas os volumes I, II, VI, e VII.
Gonçalves Rodrigues atribui a tradução a Luís Caetano de Campos.
A versão de Galland é particularmente importante porque não corresponde simplesmente a uma tradução literal de um único manuscrito árabe. Galland utilizou um manuscrito sírio, outros materiais árabes e também incorporou histórias que lhe foram transmitidas oralmente por Hanna Diyab, incluindo narrativas como Aladino e Ali Babá.
As Mil e Uma Noites reúnem histórias populares de origem persa e árabe, transmitidas através de manuscritos com várias versões e alterações. As narrativas, de tom coloquial, eram destinadas sobretudo à transmissão oral e abordam temas fantásticos, eróticos, violentos, morais e filosóficos. Estas histórias preservam a sabedoria de vários povos e influenciaram profundamente a literatura fantástica e a literatura universal. Hugo Maia realizou a primeira tradução em Portugal a partir dos manuscritos árabes mais antigos, procurando maior fidelidade ao texto original.
Ref.:
Inocêncio, V. 235-238
Rodrigues - A Tradução em Portugal, I, 2318, p. 246